quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Laços Invisivéis




Conheci uma mulher que amava fotografar e registrar cada pequeno detalhe dos seus filhos. Nunca entendi muito bem sua relação com as lentes e porque motivo ela gostava de ficar atrás delas. Também não compreendia a ansiedade pra cada foto ser revelada e todo aquele cuidado com o filme para não “queimar” as fotos. Assim como não conseguia entender porque seus filhos deveriam passar tardes e tardes reunidos montando álbuns.

Agora, anos mais tarde, percebo o que tinha de tão especial na visão pelas lentes e a mania de guardar cada fotografia como se fosse uma pérola rosa. Ela compreendia que a fotografia era a máquina do tempo. Do tempo dela. Do tempo dos filhos dela. De qualquer tempo. Ela compreendia a imortalização da vida, do sorriso, da tristeza, da dor, das lagrimas. Ela sabia que era incapaz de lutar contra o tempo e contra o curso natural da vida. E nessa queda braço era impossível vencer sozinha. Fazer uma aliada era sua única opção. E assim ela fez com as lentes de sua câmera.

Ela criou seus laços invisíveis, para que as pessoas que ela amava pudessem ao menos vislumbrar o passado, já que a natureza impedia sua mudança.  Ela queria que suas crianças entendessem que o passado é algo valioso e as experiências transformam o que nós somos. Queria que eles compreendessem que é impossível regressar. Que era mais fácil progredir. O velho clichê de fazer diferente do que já havia sido feito antes.  Ele continua valendo. Sempre em frente. Assim como a escalada de uma montanha, não há razão em voltar trechos pra apreciar a paisagem. A vista mais bonita continua sendo a do topo.
O passado assim como as fotografias, é imutável. Se for alterado, não é seu passado. Assim quando alteramos uma imagem, alteramos seu momento inteiro.


Ela partiu. E deixou sua valiosa lição. A vida é efêmera. Mas seus momentos podem ser eternos. E independente das dores, desamores e das lagrimas ocasionais, foi ele que determinou onde você está e quem você é agora. E sinceramente, eu gosto de quem me tornei. 


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