Conheci uma mulher que amava fotografar e registrar cada
pequeno detalhe dos seus filhos. Nunca entendi muito bem sua relação com as
lentes e porque motivo ela gostava de ficar atrás delas. Também não compreendia
a ansiedade pra cada foto ser revelada e todo aquele cuidado com o filme para
não “queimar” as fotos. Assim como não conseguia entender porque seus filhos
deveriam passar tardes e tardes reunidos montando álbuns.
Agora, anos mais tarde, percebo o que tinha de tão especial
na visão pelas lentes e a mania de guardar cada fotografia como se fosse uma pérola
rosa. Ela compreendia que a fotografia era a máquina do tempo. Do tempo dela.
Do tempo dos filhos dela. De qualquer tempo. Ela compreendia a imortalização da
vida, do sorriso, da tristeza, da dor, das lagrimas. Ela sabia que era incapaz
de lutar contra o tempo e contra o curso natural da vida. E nessa queda braço
era impossível vencer sozinha. Fazer uma aliada era sua única opção. E assim
ela fez com as lentes de sua câmera.
Ela criou seus laços invisíveis, para que as pessoas que ela
amava pudessem ao menos vislumbrar o passado, já que a natureza impedia sua
mudança. Ela queria que suas crianças
entendessem que o passado é algo valioso e as experiências transformam o que
nós somos. Queria que eles compreendessem que é impossível regressar. Que era
mais fácil progredir. O velho clichê de fazer diferente do que já havia sido feito
antes. Ele continua valendo. Sempre em
frente. Assim como a escalada de uma montanha, não há razão em voltar trechos
pra apreciar a paisagem. A vista mais bonita continua sendo a do topo.
O passado assim como as fotografias, é imutável. Se for
alterado, não é seu passado. Assim quando alteramos uma imagem, alteramos seu
momento inteiro.
Ela partiu. E deixou sua valiosa lição. A vida é efêmera. Mas
seus momentos podem ser eternos. E independente das dores, desamores e das
lagrimas ocasionais, foi ele que determinou onde você está e quem você é agora.
E sinceramente, eu gosto de quem me tornei.


